- Número de Aprovação
- 2513425
- Data limite para captação
- 31/12/2026
Captado —
Valor Aprovado R$ 997.682,40
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Recife
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“Melei Minha Boca de Mel” é um documentário artístico de média-metragem que transforma o encontro entre Brega Pernambucano, Jurema Sagrada, moda periférica e memória urbana do Recife em uma obra audiovisual intensa, sensorial e profundamente brasileira. Com 21 minutos de duração, o filme parte da canção “Babydoll”, de Michelle Melo, referência do Brega Romântico, para revelar um universo onde corpo, fé, desejo, ancestralidade e rua se misturam como linguagem de identidade, pertencimento e resistência.
A narrativa se constrói a partir de entrevistas com especialistas, devotos, artistas e profissionais do sexo, somadas aos bastidores de criação de uma coleção autoral inspirada em entidades femininas da Jurema e em figuras históricas da boemia recifense. Esse percurso culmina em uma performance de moda na Rua da Guia, território historicamente ligado à boemia, à prostituição e à resistência cultural no Recife. Realizada com elenco formado por profissionais do sexo, a performance transforma a rua em cena, passarela e espaço de memória: a moda deixa de ser apenas composição visual e passa a vestir histórias, convocar presenças e reposicionar sujeitos frequentemente atravessados pelo estigma.
Ao reunir brega, religiosidade afro-indígena, boemia, moda periférica e narrativas de profissionais do sexo, o projeto registra uma dimensão do Recife que nem sempre aparece nos arquivos oficiais, mas que compõe de forma decisiva o seu patrimônio imaterial. A obra reconhece esses repertórios como memória viva da cidade – feita de música, fé, desejo, oralidade, estética popular e ocupação do território – e os transforma em linguagem cinematográfica contemporânea.
Mais do que documentar uma manifestação cultural, “Melei Minha Boca de Mel” cria uma experiência visual sobre as memórias que permanecem nas margens e sustentam parte essencial da identidade recifense. Ao unir corpo, fé, moda, música e território, a obra se afirma como um manifesto audiovisual sobre o sagrado e o profano, conectada à preservação cultural, à representatividade e ao reconhecimento de histórias que precisam ser vistas.
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